Falecimento de Catarina Albuquerque
A voz forte e alegre de Catarina de Albuquerque, a desafiar e a encorajar, quem a ouvia, para lutar pelos direitos humanos, ficará para sempre, como uma memória brilhante e indelével. Jurista do Gabinete de Documentação e Direito Comparado da Procuradoria Geral da República (hoje DCJRI) desde sempre se dedicou à defesa dos direitos humanos, principalmente dos direitos económicos, sociais e culturais, os direitos da vida de todos os dias, a habitação, a educação, o trabalho ou, naquela que foi a missão da sua vida, o direito à água e ao saneamento, que não é nem nunca poderá ser, como Catarina gostava de repetir, um direito básico.
Depois de conseguir a aprovação do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais, numa luta que muitos julgavam impossível de vencer, em 2008 Catarina aceitou ser a primeira relatora especial das Nações Unidas para a Água e o Saneamento e, depois, já em 2014, passou a presidir à parceria Water and Sanitation for All , que a levou incansavelmente a percorrer todos os caminhos deste mundo, para apontar as muitas e relevantes carências em matéria de condições de acesso à água e de criação de redes de saneamento e a ilustrar, de forma indiscutível, como a sua ausência ou deficiência desequilibra e compromete um tecido social que se quer harmonioso e justo.
De maneira muito sua emprestou uma voz firme, uma energia inesgotável, um olhar atento e, sempre, uma grande alegria, à corajosa e, tantas vezes desigual, luta pelos direitos humanos.
Foi uma mulher única e intemporal.